segunda-feira, 11 de agosto de 2008

A menos de um mês de regressar a Portugal....

....Continuo com o meu trabalho na Faive, que é uma das coisas que me vai deixar saudades daqui. Agora que estou a ficar completamente ambientada aos meus clientes da Água, é que estou prestes a ir embora. A minha colega Sónia, deixou-nos há mais de um mês. Tem tido a filhota doente e não tem quem fique com ela, por isso resolveu abandonar o trabalho. Espero que tenha sorte e que um dia volte, se puder. Assim, para me ficar a substituir enquanto não volto, vai ficar o" Lemos", que já trabalhava no Armazém, a fazer este meu trabalho. Para ele foi bom, porque subiu de posição dentro da fábrica e o Lemos bem o merece que é um rapaz calmo, atento e sabe fazer as coisas. Entende o que está a fazer. Já a falar, calão atrás de calão.... vejo-me aflita para o perceber, mas não é nada demais!!...
Há cerca de um mês que estou a fazer de instrutora do Lemos neste nova posição que ele vai ocupar. Tem estado a sair-se bem o rapaz. Para quem não sabia sequer mexer num computador, já tem a lição pràticamente toda sabida. Ele aproveitou a oportunidade e começou a tirar também um curso de Informática para o ajudar ainda mais. Está a correr tudo bem e penso que o meu trabalho vai ficar bem entregue. Fica uma foto do Lemitos (como eu lhe chamo!) muito concentrado no computador!!...
Desejo muito boa sorte ao Lemos e que quando eu voltar, as vendas de água na Faive continuem como até agora ou mais se possível, mas com tudo organizado como está agora (ainda não a 100%, mas muito perto disso...)





sexta-feira, 6 de junho de 2008

O meu trabalho na Faive.




Na Faive estou encarregue da venda, controle e cobranças da água potável. Não estou sozinha a fazer tudo isso claro, tenho a Sónia comigo e os meus "filhos"!!... os rapazes que enchem e carregam os garrafões.
A água é vendida em garrafões plásticos de 20 L. Vendemos e entregamos ao cliente, o que pode ser em casa ou nas obras. A maioria é vendida para as Obras das Odebrechts - Urbanovas - Camargos Corrêas,etc... Também se fornecem os Bebedouros para aplicar os garrafões, que ficam, assim como os garrafões, em conta consignação com os clientes. Há que fazer periodicamente um controle de garrafões no terreno, para averiguar se algum garrafão se perdeu, extraviou, roubou ou foi utilizado para outro produto que não a água. Nestes casos os clientes têm que pagar os garrafões, que têm o custo de 50 USD. Junto fotos do trabalho que se faz e que apesar de tudo me agrada.

Ana Bela

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Um dos meus hobys em Angola...




É, além da Internet onde passo a maior parte do tempo livre, a confecção de Colares em massa Fimo que trouxe de Portugal. Comecei a fazê-los sem nunca ter visto, apenas guiando-me por
uma revista. Consegui mais ou menos aquilo que queria, embora ainda não a perfeição...
Mostrei-os às empregadas aqui do escritório e elas têm-me ficado com todos os que fiz. Já pedi mais material a Portugal e estou a avançar com mais confecções.
Junto uma foto para ficar o registo. Quando for possível vou colocar mais fotos.

De Viana - Angola, aos 16 de Maio de 2008.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

1958 - 2008 Cinquenta anos de vida, neste dia!!...



Muito calmamente festejados. Longe da família e amigos, e não completamente feliz por algumas situações que se estão passando, e que me vão deixando abatida. Ao longo do dia recebi Parabéns da minha madrinha Teresa Teles, da Berta, da minha mãe e também algumas mensagens de email com postais electrónicos. Perto da noite o Jó lembrou-se que eu fazia anos e sismou que tínhamos que ir jantar fora. Fomos ao "Brito" o Restaurante dos brancos aqui de Viana. Comemos umas gambas óptimas com um vinhinho brando bem gelado. Cerca de 50€, pagos em Kwanzas, claro.
Muito cara a comida aqui em Angola, mas um dia não são dias!!...
Por esta hora devem estar a Vera, o Valter, o Gonçalo e a Ana a passear na América. Nova York acho eu. Sinto imensas saudades do cafèzinho com os meus amigos de Portugal. Mais um ano longe de todos eles. Quem sabe para o ano!!...
Hoje, 2ª feira, dia de Terço na Foz, tenho quase a certeza que irei ser lembrada na oração dos meus amigos Cursistas. Que saudades da oração do terço rezada em conjunto na Foz.
Este é um dia de muito saudusismo mas de muita alegria também, por tudo o que o Pai do Céu já me permitiu viver até aqui.
Obrigada meu Deus por tudo o que deste nestes 50 anos de vida.

Viana, aos 21 de Abril de 2008.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Lutando contra as diversas doenças...

Esta Páscoa... foi bem triste para mim! E não só por estar distante dos meus, mas essencialmente por não ter vivido a Quaresma e a Páscoa, como é costume em Portugal. Não tenho transporte disponível para me deslocar às Celebrações, nem para sair a qualquer lado, de modo que fiquei um pouco isolada no meu canto, em Viana.
Depois para ajudar a isto, uma semana antes da Páscoa apanhei o Paludismo, que me deitou muito abaixo!!... Fiquei meio abanada, mas na Páscoa já me conseguia levantar e andar, embora não a 100% mas mesmo assim, fui à Missa em Viana. Muita gente!!... um calor insuportável, mas passou-se. Sem amêndoas, sem folares (só uns que resolvi fazer à última da hora, mas que sairam horríveis...), sem chocolates, sem família por perto, nada!! Passei em muita meditação e descanso, até porque estava em convalescença do Paludismo. Tive que ir a Luanda para fazer exames e tratamento. A seguir ao Paludismo, apanhei uma alergia pelo corpo com imensas borbulhas, depois seguiu-se uma infecção nos olhos (que ainda dura!) e um furúnculo debaixo da cova do braço direito, tão grande.... que só não foi lancetado, porque lhe pus imenso creme Hirudoid para o fazer rebentar. Ficou um caroço enorme, começou a rebentar, mas ainda tive que usar um soluto que mais parecia lexívia e um creme para o conseguir extrair todo, além de anti-inflamatórios e antibióticos.
Espero que termine por aqui a minha série de doenças, porque já estou a ficar cansada!!...

Tirando isso, continuo com o meu trabalho de venda de garrafões de água potável, aqui na FAIVE. É um trabalho de escritório que eu gosto, embora seja muita coisa e exija uma certa concentração... Faço facturação, atendo clientes, visito clientes, faço controle de garrafões, arquivos, caixas, etc... interessante e estimulante. O mais difícil disto tudo é conseguir entender as pessoas... falam de uma maneira que é bem difícil percebê-los. Uns porque são nativos de Angola, outros porque são brasileiros, e são modos de falar bem diferentes dos nossos, mas lá me vou entendendo com todos eles.

E com mais este bocadinho da minha história... fico-me por hoje.


Em Viana, aos 1 de Abril de 2008.
(Apesar de ser "dia das mentiras", tudo o que escrevo é a pura verdade dos factos).

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Sobre a Sociedade e o estilo de vida de Angola

Sobre a Sociedade e o estilo de vida de Angola

A maior parte da sociedade aqui, não tem princípios, nem leis, nem regras!!... Vivem arreigados a costumes antigos, dos seus antepassados, e assim continuam até agora. Muitos!!... mas muitos mesmo, senão uma grande maioria, não tem sequer um Doct. de Identificação, ou têm-no caducado há anos!...

Como este ano vai haver eleições e têm andado a fazer bastante campanha para o recenseamento eleitoral, alguns começam agora a preocupar-se com os Docts., embora muitas vezes acabem por desistir devido à constante corrupção a que estão sujeitos.

A riqueza de cada pessoa conta-se pelos filhos que têm. Principalmente as mulheres. E são elas que mais trabalham para arranjar comida para os filhos. Ninguém é casado com ninguém, ninguém tem compromissos, nem obrigações com ninguém. Os homens trabalham para o dia a dia e ocultam das diversas mulheres (nunca têm só uma, mas 2,3,4 ou mais!) o que ganham, para não terem que lhes dar dinheiro. Grande parte das vezes até é ao contrário, são as próprias mulheres que lhes dão dinheiro a eles. É claro que também são muitas vezes maltratadas, levando surras e ameaças de toda a espécie, mas fazer como?

Não há leis que protejam as desgraçadas. Às vezes até parece que elas gostam e aceitam.

Os que vivem um bocadinho melhor, por terem ido à escola e terem um emprego fixo, já têm outra ideia da realidade dos outros países, até pelo que vêm na TV e então aspiram a certas comodidades como, ter uma casa de blocos rebocada e com azulejos no chão, ter um carro mesmo velho, ter telemóvel, ter TV e Multichoice (como aqui chamam à Parabólica), ter uns electrodomésticos, terem sempre roupa, sapatos, malas e outros apetrechos com fartura (lá nisso são muito vaidosas!).

Então, como não têm hipóteses de ter isso tudo, porque não ganham nem para metade, normalmente arranjam amantes (namorados) de posição, tipo Generais do Estado, ou outros que tais!! É por isso que mal vêm cá um branco (português ou outra nacionalidade) sozinho, se lançam de pés e cabeça, até conseguírem que eles lhes vão dando algum(?) dinheiro claro e uma vida melhor. E com a maior das facilidades se deixam engravidar, para os prender mesmo e de verdade. Fico cheia de raiva quando vou a qualquer lado e vejo um branco, acompanhado de uma rapariga negra!!... Normalmente até são miudas muito novitas, e eles de meia idade. Fico a pensar como as mulheres desses homens estarão nos seus países, a pensar nos sacrifícios que estão a passar longe uns dos outros, e afinal os maridos no bem bom cá deste lado, gozando e saboreando a vida.

Por outro lado, coitados dos homens, fora da família e dos amigos, se não sairem um bocado para beber umas cervejas!!! acabam por ficar doidinhos, coitados!... As raparigas negras dão-se ao luxo de mal eles se sentam num Bar, se virem sentar ao colo deles, fazendo-lhes olhinhos e pedindo bebidas ou comida. Fazer mais como? Que situação, realmente!!

E assim vai este País. Quem lhe puder escapar, que escape. Quem gostar disto aqui, mesmo assim... que fique, que volte, que continue!!

Eu estou metade cá, metade lá. Não por minha inteira vontade, mas a vida assim nos proporcionou.

Ainda assim, se este fosse um País civilizado, com as condições normais que temos em Portugal, e se me perguntassem onde queria viver, a minha resposta era sem sombra de dúvida: Aqui em Angola!!

Gosto muito desta terra em si!! Muito mesmo. Apesar do calor imenso, dos mosquitos, etc... ainda assim, escolhia aqui! Acho que me ficou no coração, dos 8 anos que aqui passei na minha juventude. E creio que não passará jamais!!...

Apesar de tudo... de Angola...

com um carinho especial por Angola,

Ana Bela Bastos da Cruz Pereira

Viana, aos 19 de Fevereiro de 2008.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Festa da Inauguração da Ondjoyetu no Sumbe

Inauguração da Ondjoyetu!!...


A inauguração da Ondjoyetu foi uma festa muito bonita.

Chegámos ao Sumbe na véspera da Festa (eu, o Jó, a minha cunhada Arminda e o meu cunhado Artur), quando decorriam os preparativos. A festa propriamente dita constou de Missa às 9h da manhã, que decorreu na Igreja da Pedra Um (que por estar em reparação não está com telhado), celebrada pelo Sr. Bispo do Sumbe-D.Benedito- com a ajuda do Pe. David e Pe. Víctor, e que se alargou até às 12h.

De seguida fomos para a Ondjoyetu, onde o Sr. Bispo fez a inauguração da Casa e benzeu o local, para poder continuar a estar à disposição dos missionários e do povo do Gungo, pelo menos enquanto durar a geminação Leiria/Fátima com o Sumbe.

Seguiu-se o almoço, que foi elaborado em conjunto pelo povo do Gungo(chefiado pelo Tio Filipe), do Sumbe e pelas missionárias que aqui se encontram no momento: Sónia, Sara e Lina. O espaço para o almoço foi ao ar livre, com uma cobertura para o sol não torrar, e foi decorado como convinha pelas meninas, com as ajudas que apareceram. Correu tudo bem, embora o trabalho para as missionárias tenha sido muito.


No fim do almoço houve algumas representações, teatros, danças,música,etc... e todos estiveram animados.

De toda a festa, o que mais me tocou, foi sem qualquer hesitação a homilia do Sr. Bispo que foi bem enquadrada, bem explicada nas 2 línguas ali existentes – o português e o umbundo – e penso que bem compreendida por todos os presentes. Um show. Gostei muito!!

Os meus Parabéns ao Pe. David, que por perceber de obras, deu um cunho especial à Casa, onde nem sequer faltou o desenho da Ondjoyetu nas grades das janelas e na porta do forno , ao Pe. Víctor, à Vera, à Catarina, à Sónia, à Lina e à Sara (já passaram mais duas meninas pela casa por curto período de tempo mas não me lembro dos nomes), que foram os que começaram esta obra missionária que irá durar 10 anos. Um e meio já passou, com os nomes que indiquei!

O meu obrigado especial à equipa missionária que me permitiu deslocar àquelas paragens, conhecer aquele povo, aquelas paisagens e realidades, de um mundo bem diferente do nosso!

Um pedacito (pequenino?) da minha vida já está ligado para sempre ao povo do Gungo. Para nunca mais esquecer.

E a vida vai continuando.....