sexta-feira, 16 de maio de 2008

Um dos meus hobys em Angola...




É, além da Internet onde passo a maior parte do tempo livre, a confecção de Colares em massa Fimo que trouxe de Portugal. Comecei a fazê-los sem nunca ter visto, apenas guiando-me por
uma revista. Consegui mais ou menos aquilo que queria, embora ainda não a perfeição...
Mostrei-os às empregadas aqui do escritório e elas têm-me ficado com todos os que fiz. Já pedi mais material a Portugal e estou a avançar com mais confecções.
Junto uma foto para ficar o registo. Quando for possível vou colocar mais fotos.

De Viana - Angola, aos 16 de Maio de 2008.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

1958 - 2008 Cinquenta anos de vida, neste dia!!...



Muito calmamente festejados. Longe da família e amigos, e não completamente feliz por algumas situações que se estão passando, e que me vão deixando abatida. Ao longo do dia recebi Parabéns da minha madrinha Teresa Teles, da Berta, da minha mãe e também algumas mensagens de email com postais electrónicos. Perto da noite o Jó lembrou-se que eu fazia anos e sismou que tínhamos que ir jantar fora. Fomos ao "Brito" o Restaurante dos brancos aqui de Viana. Comemos umas gambas óptimas com um vinhinho brando bem gelado. Cerca de 50€, pagos em Kwanzas, claro.
Muito cara a comida aqui em Angola, mas um dia não são dias!!...
Por esta hora devem estar a Vera, o Valter, o Gonçalo e a Ana a passear na América. Nova York acho eu. Sinto imensas saudades do cafèzinho com os meus amigos de Portugal. Mais um ano longe de todos eles. Quem sabe para o ano!!...
Hoje, 2ª feira, dia de Terço na Foz, tenho quase a certeza que irei ser lembrada na oração dos meus amigos Cursistas. Que saudades da oração do terço rezada em conjunto na Foz.
Este é um dia de muito saudusismo mas de muita alegria também, por tudo o que o Pai do Céu já me permitiu viver até aqui.
Obrigada meu Deus por tudo o que deste nestes 50 anos de vida.

Viana, aos 21 de Abril de 2008.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Lutando contra as diversas doenças...

Esta Páscoa... foi bem triste para mim! E não só por estar distante dos meus, mas essencialmente por não ter vivido a Quaresma e a Páscoa, como é costume em Portugal. Não tenho transporte disponível para me deslocar às Celebrações, nem para sair a qualquer lado, de modo que fiquei um pouco isolada no meu canto, em Viana.
Depois para ajudar a isto, uma semana antes da Páscoa apanhei o Paludismo, que me deitou muito abaixo!!... Fiquei meio abanada, mas na Páscoa já me conseguia levantar e andar, embora não a 100% mas mesmo assim, fui à Missa em Viana. Muita gente!!... um calor insuportável, mas passou-se. Sem amêndoas, sem folares (só uns que resolvi fazer à última da hora, mas que sairam horríveis...), sem chocolates, sem família por perto, nada!! Passei em muita meditação e descanso, até porque estava em convalescença do Paludismo. Tive que ir a Luanda para fazer exames e tratamento. A seguir ao Paludismo, apanhei uma alergia pelo corpo com imensas borbulhas, depois seguiu-se uma infecção nos olhos (que ainda dura!) e um furúnculo debaixo da cova do braço direito, tão grande.... que só não foi lancetado, porque lhe pus imenso creme Hirudoid para o fazer rebentar. Ficou um caroço enorme, começou a rebentar, mas ainda tive que usar um soluto que mais parecia lexívia e um creme para o conseguir extrair todo, além de anti-inflamatórios e antibióticos.
Espero que termine por aqui a minha série de doenças, porque já estou a ficar cansada!!...

Tirando isso, continuo com o meu trabalho de venda de garrafões de água potável, aqui na FAIVE. É um trabalho de escritório que eu gosto, embora seja muita coisa e exija uma certa concentração... Faço facturação, atendo clientes, visito clientes, faço controle de garrafões, arquivos, caixas, etc... interessante e estimulante. O mais difícil disto tudo é conseguir entender as pessoas... falam de uma maneira que é bem difícil percebê-los. Uns porque são nativos de Angola, outros porque são brasileiros, e são modos de falar bem diferentes dos nossos, mas lá me vou entendendo com todos eles.

E com mais este bocadinho da minha história... fico-me por hoje.


Em Viana, aos 1 de Abril de 2008.
(Apesar de ser "dia das mentiras", tudo o que escrevo é a pura verdade dos factos).

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Sobre a Sociedade e o estilo de vida de Angola

Sobre a Sociedade e o estilo de vida de Angola

A maior parte da sociedade aqui, não tem princípios, nem leis, nem regras!!... Vivem arreigados a costumes antigos, dos seus antepassados, e assim continuam até agora. Muitos!!... mas muitos mesmo, senão uma grande maioria, não tem sequer um Doct. de Identificação, ou têm-no caducado há anos!...

Como este ano vai haver eleições e têm andado a fazer bastante campanha para o recenseamento eleitoral, alguns começam agora a preocupar-se com os Docts., embora muitas vezes acabem por desistir devido à constante corrupção a que estão sujeitos.

A riqueza de cada pessoa conta-se pelos filhos que têm. Principalmente as mulheres. E são elas que mais trabalham para arranjar comida para os filhos. Ninguém é casado com ninguém, ninguém tem compromissos, nem obrigações com ninguém. Os homens trabalham para o dia a dia e ocultam das diversas mulheres (nunca têm só uma, mas 2,3,4 ou mais!) o que ganham, para não terem que lhes dar dinheiro. Grande parte das vezes até é ao contrário, são as próprias mulheres que lhes dão dinheiro a eles. É claro que também são muitas vezes maltratadas, levando surras e ameaças de toda a espécie, mas fazer como?

Não há leis que protejam as desgraçadas. Às vezes até parece que elas gostam e aceitam.

Os que vivem um bocadinho melhor, por terem ido à escola e terem um emprego fixo, já têm outra ideia da realidade dos outros países, até pelo que vêm na TV e então aspiram a certas comodidades como, ter uma casa de blocos rebocada e com azulejos no chão, ter um carro mesmo velho, ter telemóvel, ter TV e Multichoice (como aqui chamam à Parabólica), ter uns electrodomésticos, terem sempre roupa, sapatos, malas e outros apetrechos com fartura (lá nisso são muito vaidosas!).

Então, como não têm hipóteses de ter isso tudo, porque não ganham nem para metade, normalmente arranjam amantes (namorados) de posição, tipo Generais do Estado, ou outros que tais!! É por isso que mal vêm cá um branco (português ou outra nacionalidade) sozinho, se lançam de pés e cabeça, até conseguírem que eles lhes vão dando algum(?) dinheiro claro e uma vida melhor. E com a maior das facilidades se deixam engravidar, para os prender mesmo e de verdade. Fico cheia de raiva quando vou a qualquer lado e vejo um branco, acompanhado de uma rapariga negra!!... Normalmente até são miudas muito novitas, e eles de meia idade. Fico a pensar como as mulheres desses homens estarão nos seus países, a pensar nos sacrifícios que estão a passar longe uns dos outros, e afinal os maridos no bem bom cá deste lado, gozando e saboreando a vida.

Por outro lado, coitados dos homens, fora da família e dos amigos, se não sairem um bocado para beber umas cervejas!!! acabam por ficar doidinhos, coitados!... As raparigas negras dão-se ao luxo de mal eles se sentam num Bar, se virem sentar ao colo deles, fazendo-lhes olhinhos e pedindo bebidas ou comida. Fazer mais como? Que situação, realmente!!

E assim vai este País. Quem lhe puder escapar, que escape. Quem gostar disto aqui, mesmo assim... que fique, que volte, que continue!!

Eu estou metade cá, metade lá. Não por minha inteira vontade, mas a vida assim nos proporcionou.

Ainda assim, se este fosse um País civilizado, com as condições normais que temos em Portugal, e se me perguntassem onde queria viver, a minha resposta era sem sombra de dúvida: Aqui em Angola!!

Gosto muito desta terra em si!! Muito mesmo. Apesar do calor imenso, dos mosquitos, etc... ainda assim, escolhia aqui! Acho que me ficou no coração, dos 8 anos que aqui passei na minha juventude. E creio que não passará jamais!!...

Apesar de tudo... de Angola...

com um carinho especial por Angola,

Ana Bela Bastos da Cruz Pereira

Viana, aos 19 de Fevereiro de 2008.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Festa da Inauguração da Ondjoyetu no Sumbe

Inauguração da Ondjoyetu!!...


A inauguração da Ondjoyetu foi uma festa muito bonita.

Chegámos ao Sumbe na véspera da Festa (eu, o Jó, a minha cunhada Arminda e o meu cunhado Artur), quando decorriam os preparativos. A festa propriamente dita constou de Missa às 9h da manhã, que decorreu na Igreja da Pedra Um (que por estar em reparação não está com telhado), celebrada pelo Sr. Bispo do Sumbe-D.Benedito- com a ajuda do Pe. David e Pe. Víctor, e que se alargou até às 12h.

De seguida fomos para a Ondjoyetu, onde o Sr. Bispo fez a inauguração da Casa e benzeu o local, para poder continuar a estar à disposição dos missionários e do povo do Gungo, pelo menos enquanto durar a geminação Leiria/Fátima com o Sumbe.

Seguiu-se o almoço, que foi elaborado em conjunto pelo povo do Gungo(chefiado pelo Tio Filipe), do Sumbe e pelas missionárias que aqui se encontram no momento: Sónia, Sara e Lina. O espaço para o almoço foi ao ar livre, com uma cobertura para o sol não torrar, e foi decorado como convinha pelas meninas, com as ajudas que apareceram. Correu tudo bem, embora o trabalho para as missionárias tenha sido muito.


No fim do almoço houve algumas representações, teatros, danças,música,etc... e todos estiveram animados.

De toda a festa, o que mais me tocou, foi sem qualquer hesitação a homilia do Sr. Bispo que foi bem enquadrada, bem explicada nas 2 línguas ali existentes – o português e o umbundo – e penso que bem compreendida por todos os presentes. Um show. Gostei muito!!

Os meus Parabéns ao Pe. David, que por perceber de obras, deu um cunho especial à Casa, onde nem sequer faltou o desenho da Ondjoyetu nas grades das janelas e na porta do forno , ao Pe. Víctor, à Vera, à Catarina, à Sónia, à Lina e à Sara (já passaram mais duas meninas pela casa por curto período de tempo mas não me lembro dos nomes), que foram os que começaram esta obra missionária que irá durar 10 anos. Um e meio já passou, com os nomes que indiquei!

O meu obrigado especial à equipa missionária que me permitiu deslocar àquelas paragens, conhecer aquele povo, aquelas paisagens e realidades, de um mundo bem diferente do nosso!

Um pedacito (pequenino?) da minha vida já está ligado para sempre ao povo do Gungo. Para nunca mais esquecer.

E a vida vai continuando.....

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Inauguracao de ONDJOYETU... no Sumbe!!

Pois é... é já no próximo Domingo dia 27 de Janeiro que vai ser a inauguração oficial da Ondjoyetu, a casa de apoio aos missionários de Leiria/Fatima que vão colaborar durante
10 anos com as populações da zona do Sumbe - Gungo - e da qual a Vera fez parte do primeiro
grupo de 1 ano que iniciou a construção da mesma.

Fui convidade pelo Pe. David, assim como o Jó e a minha cunhada Arminda - que bastante
apoio tem dado ao grupo, em Luanda - a estarmos presentes na festa da Inauguração oficial.
Por isso esperamos, caso tudo corra dentro do normal, estar a caminho do Sumbe no próximo
sábado. Levamos a nossa presença, mas tbm estaremos em representação da Vera que não poderá estar fisicamente presente - embora gostasse - por se encontrar distante, e não se poder deslocar aqui agora.

Espero mesmo poder ir ao Sumbe este fim de semana. Ali, tbm já está um pedacinho de mim, de nós!!..

E o Ano vai correndo,... andando... por aqui, por ali,... por onde Deus quer!

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

E o Novo Ano 2008... entrou!!

Pois é ... entrámos no Novo Ano!!


Mas a vida vai continuando na mesma, sem alterações, pelo menos por enquanto.


O Natal passou. Em Angola pela segunda vez, mas desta, bem mais triste e sem lembrar mesmo que era Natal. O ano anterior, no Gungo, foi um Natal diferente do habitual, mas muito enriquecedor, muito emotivo. A não esquecer! O deste ano foi um dia igual a todos os outros, apenas com mais pessoas (e sem grande afinidade) à mesa. Pra esquecer!!...


O Ano Novo entrou... na varanda da casa da minha cunhada, nas Ingombotas, em Luanda,
com a abertura de uma garrafa de champanhe e ouvindo o barulho das farras na rua e pelos quintais dentro. Meia hora depois, acho que já dormia. Comi as 12 passas sem ter pensado
num único desejo para o novo ano, a não ser saúde e que fosse o que o Senhor me quisesse destinar. Não estou nem aí. Se tivesse querido fazer desejos, teria tantos no meu rol, que nem dava para enumerar - Paz no mundo, condições de vida razoável para o povo angolano, menos fome no mundo, que as pessoas dessem mais valor à vida, a própria e a dos outros, menos ódio, menos ganância,mais justica social, enfim...


Eu, cá continuo com o meu marido na fábrica onde ele veio trabalhar. Ja tem o visto de
trabalho. Agora falta anexarem o meu passaporte ao dele para eu cá poder permanecer
como esposa e acompanhante. Não é que seja de minha total vontade, mas enfim!!


Para me distrair e não estar sempre fechada em casa, ofereceram-me também um traba-
lhinho na Fábrica, que faz, engarrafa e vende bebidas tais como Whisky, Gin, Aguardente e
Vinho. Além destas bebidas a Faive purifica também água que vende em garrafões de 25 L,
normalmente para aplicar em bebedouros, que são cedidos a titulo de empréstimo a firmas
que consumam mensalmente 10 garrafões de água.
Então... o meu trabalho é conferir, fazer o levantamento dos garrafões e bebedouros que cada
cliente tem em sua posse, para facturar aqueles que se perderem, partirem, ou estragarem de qualquer modo. Tanto bebedouros como garrafões vão em conta consignação para os clientes, que apenas têm que pagar a água que consumirem.
À primeira vista pode parecer uma coisinha de nada, mas os clientes de água já são bastantes.

Normalmente são grandes firmas de construção ou afins, que consumem imensos garrafões de água não só porque o calor é muito, mas também para se prevenirem contra as doenças que por
aqui proliferam. É evidente que a maioria das firmas são de brasileiros e chineses. Por aqui já se imagina os enormes contactos que eu vou mantendo com gente *normal* - culta, evoluída, sei lá que mais!!.. Só por isso já e muito bom para mim. E ainda por cima, tenho que ir conferir todas essas coisas no terreno, o que me leva a percorrer imensos locais acompanhada do meu motorista. Imaginem eu!!.. que nem diplomata, de motorista para me transportar a todo o lado!
Fina eu não!!... Foi preciso vir a Angola, para ser uma pessoa importante. Ah... e devo dizer que o motorista que me acompanha me chama de *Doutora*. Pode!! Imaginem!!!

Os nativos daqui, consomem mais as bebidas alcoólicas, claro!!.. Faz parte da sua cultura!!

Ao principio, pensei que nao ia gostar nada do trabalho que me estavam a querer dar. Não faz
muito o meu género, diga-se a verdade. Mas afinal, estou a gostar muito do trabalho, pelo contacto com outras pessoas, que têm sido uma simpatia e super atenciosos, e por ficar a conhecer um bocado de tudo o que aqui em Angola é possivel encontrar. Está a ser muito giro, de verdade! Espero que continue a correr bem como até aqui.

E aqui me fico. Até novas noticias...


Viana, 15 de Janeiro de 2008.